A retoma ou o abismo?

Quem olhe para os dois gráficos que se seguem, facilmente se questionará sobre o que se está a passar.

P Gr emprego PGr Desemprego

À primeira vista e caso os olhos sejam portugueses e oficiais, dir-se-ia que a Grécia estava a retomar tão bem até ao 3º trimestre de 2014 que mal se compreende por que foi que a grande maioria do povo grego decidiu dar o seu voto, em Janeiro de 2015, a uma coligação da esquerda radical. Tal como em Portugal, o emprego na Grécia caiu abruptamente até 2013 e, a partir dessa altura, dava mostras de inverter a tendência. E, consequentemente e na mesma altura, o desemprego subiu a pique e inverteu a tendência.

“Portugal não é a Grécia”, dir-se-á. Aliás como se repetiu em 2010 e 2011 e como agora se repete, mais uma vez. Mas tudo indica haver uma similitude de tendências. Se Portugal está a recuperar – como afirma o Governo português e as “instituições” – então a Grécia também o deve estar e não se entende a atitude do Eurogrupo. Mas se a Grécia está como está, então Portugal também não estará assim tão bem. E, mais uma vez, não se entende a atitude do Europrupo.

Alguns argumentos possíveis: 1) os números podem não corresponder à realidade: após uma prolongada recessão, sobretudo na Grécia, os indicadores oficiais do emprego e desemprego podem não ser os que mais bem retratam a realidade. Já muito se escreveu sobre isso. O desemprego tende a ganhar outras facetas que os critérios oficiais (muito estritos) não acompanham; 2) a culpa é do Syriza que se deixou eleger com tanto apoio popular e acabou por criar anti-corpos no Eurogrupo e nas forças políticas que – actualmente – o  compõem. E quem sabe?, não estarão essas forças a tentar criar uma “vacina” para evitar que casos semelhantes surjam nos países periféricos da União Europeia; 3) poderá ainda verificar-se uma aproximação às eleições e um abrandamento na austeridade; 4) e há ainda o facto de o emprego e o desemprego não serem objectivos magnos dos programas de ajustamento, muito pelo contrário: o desemprego sempre serviu para rebaixar salários e rendimentos, entroncando na necessidade programada de baixar “custos do trabalho” para competitividade à economia. E pode estar a realidade a explodir que o Eurogrupo olhará para dashboard do défice orçamemtal…

Mas é inquietante a similitude. No próximo dia 6/5/2015, quando forem divulgadas as estimativas mensais de emprego, se verá como evolui o emprego e o desemprego.

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