A morte do projeto europeu

minotauro 3

Suponha que considera Tsipras um imbecil incompetente. Suponha que quer muito que o Syriza saia do poder. Suponha ainda que daria as boas vindas à saída destes chatos dos gregos do euro.

Mesmo que tudo seja verdade, esta lista de exigências do Eurogrupo é uma loucura. O “hastag” que circulou “ThisIsACoup” é exatamente isso. Vai da crueldade à pura vingança, à completa destruição da soberania e à desesperança e falta de alívio. Era, supostamente, uma oferta que a Grécia não podia aceitar; mas, mesmo assim, é uma traição grotesca a tudo aquilo que o projeto europeu deveria defender.

Haverá alguém que consiga tirar a Europa do limbo? Parece que Mario Draghi está a tentar introduzir alguma sanidade, que Hollande está finalmente a mostrar um pouco de oposição à moral económica alemã com a qual sempre concordou no passado. Mas muitos danos já foram causados. Quem pode confiar na boa vontade alemã depois disto?

Por um lado, a economia ficou quase secundarizada. Mas, mesmo assim, sejamos claros: o que aprendemos nestas últimas duas semanas é que ser um membro da zona euro significa que os credores podem destruir uma economia se sair da linha. E isto não tem nada a ver com austeridade. Sabemos que medidas duras de austeridade sem alívio da dívida é uma política condenada, independentemente do que o país possa estar disposto a aceitar. E neste caso mesmo uma capitulação total da Grécia seria um beco sem saída.

A Grécia vai conseguir uma saída bem-sucedida? A Alemanha vai tentar bloquear uma recuperação? (Infelizmente, este é o tipo de coisas que temos que perguntar.)

O projeto europeu – um projeto que sempre elogiei e apoiei – acaba de ser objeto de um terrível golpe, talvez fatal. E independentemente do que se pense do Syriza, ou da Grécia, não foram os gregos que provocaram esta situação.

Paul Krugman

Original aqui

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3 thoughts on “A morte do projeto europeu

  1. A paz e a prosperidade terão prazo de validade?
    A Europa está a deixar-se surpreender novamente pela Alemanha, a terceira vez em cem anos.
    Ao fim de setenta anos do armestício da segunda guerra mundial é novamente a Alemanha que domina a Europa.
    Alexis Tsipras já fez o possível e o impossível para a Grécia se manter na Zona Euro, para continuar a pagar juros dos resgates, para ter mais um resgate que basicamente será para salvar bancos e pagar os juros dos resgates anteriores.
    Aos gregos só cabe alienar património e pagar impostos sobre os rendimentos do trabalho, os que não estiverem desempregados a viver de esmolas.
    Este acordo apenas evita a saída da Grécia e colapso do Euro, e a desagregação da Europa por mais algum tempo, incerto.
    Não melhora a economia grega nem as condições de vida gregos, nem dos portugueses, nem dos espanhóis, nem dos europeus, só adia mais uma vez a resolução do problema e compromete o futuro.
    Estão a empurrar a Grécia para fora do Euro com condições inaceitáveis e humilhantes.
    Este cerco à Grécia é uma bomba de fragmentação que vai acabar a prejudicar todos.
    O que agora fazem à Grécia é o que farão a Portugal daqui por um ano se não houver uma mudança política clara.
    Este acordo é mais uma velada declaração de guerra da Alemanha à Europa do que uma solução para a crise do Euro, em que a Grécia é apenas o bombo da festa.
    Isto já não faz qualquer sentido em relação ao ideal europeu e à razão porque nos juntamos.
    Não esperem ver novamente as tropas alemães a marchar nos Campos Elísios porque a guerra agora é feita com o euro.
    A moeda é única e já lhes pertence, não de direito mas de facto, mais que a qualquer outro na Zona Euro.
    Lamento.
    Como é possível haver novamente tanta gente a abrir-lhes a porta e disposta a colaborar?

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  2. Tanto quanto dá para perceber os gregos só têm um problema – falta de dinheiro. O que fizeram aos milhares de milhões que para lá foram, não interessa – foram para o mesmo sitio que irão, se forem, mais estes oitenta ou noventa mil ( aviso, libra não vai, sacanas dos alemães ) . Ora estando diagnosticado o problema , que esperam os milhões de politicamente corretos? Parem com a conversa fiada, façam uma coleta e mandem a massa para os gregos. E podem ser francos, dólares, yenes, ….. libras já vimos que não. E tantos são que bastam alguns milhares a cada bico. Vá lá malta. Tarantãtã não enche barriga.

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