A Chantagem!

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Credores enviam proposta de acordo ao Eurogrupo. Grécia rejeita.

Documentos enviados pelos credores ao Eurogrupo não têm aprovação de Atenas. Tsipras não cedeu ao ultimato e deve apresentar contraproposta grega.

As propostas dos credores que querem humilhar os gregos.

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One thought on “A Chantagem!

  1. E não é só a vergonhosa chantagem. Tenho assistido ultimamente às mais despudoradas e agressivas manifestações de etnocentrismo patentes nas afirmações daqueles que acham que “os gregos” andaram a enganar as contas e por isso é bem feito que agora paguem e sofram – o que, entre outras conclusões importantes acerca do carácter e da ideologia de quem assim opina, constitui uma prova acabada da dissimulação e da ocultação com que a nova burguesia planetária inverte a realidade, naturalizando e banalizando os seus crimes e atentados aos direitos humanos, que são agora parte constitutiva da “nova normalidade” em que o único significado de ‘democracia’ é aferido pela preponderância dos mercados financeiros sobre o concomitante esvaziamento das soberanias nacionais e da decisão política do povo, pelo povo e para o povo.

    Entre estas demonstrações da unidade e da solidariedade europeia por parte de políticos, banqueiros e comentadores em defesa “dos gregos” e contra esses “radicais” em quem inadvertidamente votaram, há outra que me tem assustado: a facilidade com que aquele padrão de discurso racista e xenófobo que aposta no medo e no ódio – do tipo “é preciso mandar os imigrantes de volta para a terra deles porque vieram para cá roubar os nossos empregos” – reaparece agora sob a forma de medo de «que os trabalhadores portugueses e as suas famílias paguem as loucuras do Syriza» (Henrique Monteiro no ‘Expresso’ do último sábado). Ainda ontem no frente-a-frente da SIC-N a deputada do PSD Teresa Leal Coelho repetia esta preocupação – de que a «irresponsabilidade do governo do Tsipras» venha a «entrar em casa dos contribuintes portugueses» – a mesma mentira repetida à exaustão pelos coveiros da Europa quando fizeram passar como verdadeira a ideia de que é o trabalhador alemão que paga as “pensões de luxo” dos “gregos”, que não querem trabalhar e são corruptos.

    Este apostolado contra o governo grego que é patente no comentário político e na boca dos nossos governantes (com o assumir de posições radicais no eurogrupo por parte dos sabujos do ordoliberalismo alemão – Luis de Guindos e Maria Luis), tira a sua força da ideia peregrina de que “os tontos do syriza” estarão a fazer chantagem sózinhos contra 17 países que democraticamente elegeram os seus representantes e estão unidos pelo bom senso das instituições que defendem os interesses dos credores – os únicos interesses, aliás, capazes de não enfurecer os mercados e, assim, de nos conduzir a nós pecadores-devedores à salvação, permitindo-nos continuar, justamente, a “ir aos mercados” obter consolo, alívio e esperança. Não me preocupa apenas a artificialidade deste consenso justificado pelo triunfo da mediocridade moral de achar que a Grécia, com uma dívida insustentável desde o “programa de ajuda”, deveria submeter-se às exigências de regras europeias que “são iguais para todos” (outra refalsada mentira), já que Portugal – o bom aluno que fez o trabalho de casa (há aí adultos na sala?…) – e a Irlanda também sofreram a virtuosa e purificadora austeridade tendo obtido “excelentes resultados”… A mim, parece-me que há razões para temer que isto seja demasiado parecido com as desculpas que tantos alemães e franceses deram para justificar o colaboracionismo nos seus actos durante o nazismo e perante o Holocausto.

    Francisco Oneto

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