“Na hora final, um apelo à sanidade económica e à humanidade”

Chegada a 25ª hora grega e europeia, um grupo de economistas destacados apela à sanidade na edição de hoje do Financial Times. Reproduzimos aqui a versão integral do texto traduzido porJosé Maria Castro Caldas.

“Excelentíssimo Senhor,

O futuro da União Europeia está em jogo nas negociações entre a Grécia e as suas instituições credoras que agora se aproximam do clímax. Para evitar um fracasso são necessárias concessões de ambas as partes. Da parte da União Europeia, indulgência e financiamento para promover a reforma estrutural e a recuperação económica e preservar a integridade da eurozona. Da parte da Grécia, compromisso credível para mostrar que, ao mesmo tempo que se opõe à austeridade, está a favor da reforma e quer desempenhar um papel positivo na União Europeia.

Numa carta ao Financial Times, em janeiro, alguns de nós disseram: “Acreditamos ser importante distinguir austeridade de reformas; condenar a austeridade não implica ser anti reforma.” Seis meses passados estamos consternados pelo facto de a austeridade estar a impedir reformas chave do Syriza em que os líderes da União Europeia certamente deveriam ter vindo a colaborar com o governo grego: particularmente para ultrapassar a evasão fiscal e a corrupção.

A austeridade reduz drasticamente o rendimento da reforma fiscal e restringe a margem necessária à transformação da administração pública no sentido da responsabilidade e eficiência social. E as concessões permanentes requeridas pelo governo significam que o Syriza está em perigo de perder o apoio político e portanto a sua capacidade de realizar um programa de reformas que faça a Grécia sair da crise. É errado pedir à Grécia para se comprometer com um programa velho que manifestamente falhou, foi rejeitado pelos eleitores gregos e que muitos economistas (incluindo nós próprios) acreditam ter sido errado desde o início.

É evidentemente necessário um acordo revisto e de mais longo prazo com as instituições credoras: de outro modo é inevitável o incumprimento, impondo grandes perigos para as economias da Europa e do mundo e mesmo para o projeto europeu que supostamente a eurozona fortaleceria.

O Syriza é a única esperança de legitimidade na Grécia. O insucesso em obter um compromisso poria a democracia em perigo e resultaria em desafios muito mais radicais e disfuncionais, fundamentalmente hostis à União Europeia.

Considerem, por outro lado, uma deslocação rápida no sentido de um programa positivo para a recuperação na Grécia (e na União Europeia como um todo) que utilize a força financeira massiva da Eurozona para promover o investimento, regatar os jovens europeus do desemprego massivo com medidas que aumentem o emprego hoje e o crescimento no futuro. Isto poderia transformar o desempenho económico da União Europeia e fazer dela de novo uma razão do orgulho dos cidadãos europeus.

O modo como a Grécia for tratada significará uma mensagem para todos os parceiros da eurozona. Como o plano Marshall, façamos dela uma mensagem de esperança, não de desespero.

Prof Joseph Stiglitz

Columbia University; Premio Nobel da Economia

Prof Thomas Piketty

École Normale Supérieure; London School of Economics

Massimo D’Alema

Ex primeiro miistro da Itália; presidente da FEPS (Foundation of European Progressive Studies)

Prof Stephany Griffith-Jones

IPD Columbia University

Prof Mary Kaldor

London School of Economics

Hilary Wainwright

Transnational Institute, Amsterdam

Prof Marcus Miller

Warwick University

Prof John Grahl

Middlesex University, London

Michael Burke

Economists Against Austerity

Prof Panicos Demetriadis

University of Leicester

Prof Trevor Evans

Berlin School of Economics and Law

Prof Jamie Galbraith

Dept of Government, University of Texas

Prof Gustav A Horn

Macroeconomic Policy Institute (IMK)

Prof Andras Inotai

Emeritus and former Director, Institute for World Economics, Budapest

Sir Richard Jolly

Honorary Professor, IDS, Sussex University

Prof Inge Kaul

Adjunct professor, Hertie School of Governance, Berlin

Neil MacKinnon

VTB Capital

Prof Jacques Mazier

University of Paris

Dr Robin Murray

London School of Economics

Prof Jose Antonio Ocampo

Columbia University

Prof Dominique Plihon

University of Paris

Avinash Persaud

Peterson Institute for International Economics

Prof Mario Pianta

University of Urbino

Helmut Reisen

Shifting Wealth Consultancy

Dr Ernst Stetter

Secretary General, FEPS (Foundation fro European Progressive Studies)

Prof Simon Wren-Lewis

Merton College Oxford

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5 thoughts on ““Na hora final, um apelo à sanidade económica e à humanidade”

  1. boa manuel m !
    e os cofres, a estarem de facto cheios, será de quê? Ar, arrogância, cartões, assinaturas, fotocópias, teias de aranha, papel higiénico, stock fora de validade de vacinas contra a gripe das aves, submarinos, documentos preparatórios de exames para o 1º ciclo, dívidas prescritas à segurança social, resultado de auditorias a contratos ruinosos swap, obrigações de pagamento de pensões indemnizações subsídios milionários a Mira Amaral e restante corja, etc, etc, etc?

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  2. vou destacar o que sublinhei da palavra de um físico quando recentemten falava da crise actual :

    “A questão é que, como a crise tem um carácter excepcional, para nos confrontarmos com ela terá de haver uma revolução no campo de pensar. Ela terá de acontcer a partir de cada um de nós. Só então estaremos aptos a criar uma nova sociedade, uma nova estrutural onge do horror presente, longe destas poderosas forças destruidoras que se estão a acumular.”
    É preciso viver a VERDADE que liberta.

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