Aos gregos não estará reservado o destino de Tântalo

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Os senhores que comandam as «instituições» e decidem sobre dinheiros leram umas histórias sobre a mitologia grega e decidiram que Tântalo pode ser um modelo a impor como exemplo aos actuais helénicos. Considerando que estes insistiram em provar ambrósia que não lhes estava reservada no Olimpo dos mercados, e que se portaram mal nos sacrifícios que ofereceram aos deuses, mostram-lhes água e manjares sem deixarem que os alcancem para matar a sede e a fome. E gostariam que a situação se eternizasse – como para Tântalo.

Passaram quatro meses desde as eleições, acabou a semana, mais uma que seria «a decisiva», e tudo se encontra praticamente na mesma. Multiplicam-se reuniões públicas, semipúblicas e privadas e as propostas gregas continuam a não ser suficientes para que UE, BCE e FMI aceitem que há linhas vermelhas que o governo grego não quer – nem deve – pisar ou deixar que sejam pisadas.

Tsipras chegou a anunciar que já se estava na fase de redigir o rascunho de um acordo, mas foi rebate falso; as trapalhadas com supostas declarações de Christine Lagarde segundo as quais a responsável pelo FMI admitiria uma saída da Grexit para breve, posteriormente desmentidas por um porta-voz da organização, provocaram uma compreensível corrida aos levantamentos bancários; continuam os rumores sobre divergências entre Angela Merkel e o seu ministro das Finanças; etc., etc, etc.

Entretanto, os Estados Unidos põem a questão grega em cima da mesa da reunião do G7 por razões óbvias embora não explicitadas: um afastamento da Grécia da UE, por saída do euro ou não só, é a última das exposições desejáveis em termos geopolíticos. Situação que não é nova, mas que se revela hoje especialmente sensível, com o problema da Ucrânia por resolver e com a vaga de migrações vindas de Leste. Estive nesse estranho país que é o Chipre há duas semanas e a importância do factor geográfico, quando se olha para o bloco Grécia + Chipre, impõe-se com uma evidência especial visto a partir do Médio-Oriente (sim, porque Chipre não se situa na Europa, é bom lembrar). Para norte-americanos, e não só, este «muro» da UE e do euro, a Leste, não pode ser derrubado.

Como vai evoluir tudo isto? Não se sabe. Mas arrastar muito a situação só a degrada a cada dia que passa. E se é a ruptura que se pressente e se prevê como inevitável, não parece que seja temerário afirmar aquilo que muitos pensam mas poucos têm a coragem de escrever: que ela se concretize num relativo curto prazo. Há mais mundo para além da União Europeia e aos gregos não estará reservado o destino de Tântalo.

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