Seguimos, cantando e rindo, a caminho do abismo

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imagem: Banksy

A crise na Grécia surge no rescaldo do pânico financeiro de Outubro de 2008, quando o governo não é capaz de fazer os pagamentos de [ditas] dívidas. A Comissão Europeia entra em cena, com o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional. A “Troika” concorda em “socorrer” o sistema financeiro grego, mas apenas se o país reduzir o emprego e os salários, fizer cortes profundos nos gastos sociais e nos serviços públicos privatizados. Ao mesmo tempo, os impostos que atingem os trabalhadores aumentam. As receitas que vão para o governo são imediatamente enviadas para fora do país para pagar a dívida externa.

Como é a situação social na Grécia?

A crise económica na Grécia afectou a maioria dos aspectos da vida social e mudou as condições de vida dos gregos – trabalhadores, famílias, crianças, homens e mulheres – de forma dramática. A crise económica na Grécia e as medidas subsequentes das política de austeridade levaram a tremendas consequências sociais. As condições de vida dos gregos mudaram nos últimos anos e ainda não claro de que forma estas alterações terão efeitos devastadores na sociedade nos próximos anos. A transformação afecta a maioria dos aspectos da vida social na Grécia, quer se fale de emprego, condições de trabalho e salários, pensões, preços e habitação, ou do serviço público e do seu acesso. Paralelamente às numerosas tentativas de “sair da crise”, muitos mitos circulam sobre a Grécia no debate público, com exageros em diferentes direcções. Esses mitos e ambiguidades distorceram o debate na Europa como um todo, mas também em alguns Estados-Membros, bem como na Grécia. Temos essa noção?

Temos noção de que em termos humanos, o que se traduz em milhões de vidas destruídas – e toda uma geração de jovens privados de qualquer perspectiva de uma vida estável e segura -, a Grécia está mais próxima de Portugal do que de qualquer outro país? Façamos as contas: há quantos anos experimentamos as políticas de austeridade? Nas ruas, nas vidas das pessoas, quais são os efeitos práticos?

Desde o início da crise económica tem havido um aumento sem precedentes no desemprego, que afecta particularmente as mulheres e os jovens. Cerca de 2,5 milhões de pessoas (numa população total de 11 milhões) vive abaixo da linha da pobreza, com outros 3,8 milhões em risco de ultrapassar esta linha – sempre em sentido contrário ao que se esperaria no séc. XXI.  A taxa de pobreza infantil ronda os 40,5%.

Cerca de 25,7% das pessoas estão sem emprego – e para os jovens com idades entre os 15 e os 24 anos, o número é de 50,5% por cento. Um número incontável de pessoas lutam diariamente e contentam-se com um sistema de “biscates”, oferecendo quaisquer habilidades ou serviços, em troca de outros serviços – ou apenas para o alimento. Durante os últimos três anos tem-se assistido a um declínio na remuneração dos trabalhadores assalariados: os salários caíram 14% quando comparados com o poder de compra.

Mas a pobreza e o desemprego são apenas uma parte do sofrimento dos gregos. Cerca de 47 por cento dos gregos diz não ter acesso a tratamento médico. A educação pública também tem sido atacada com cortes de 33 por cento em gastos com educação entre 2009 e 2013 e mais 14% de cortes programados em 2016. Milhares de professores perderam os seus empregos, e os números de alunos por turmas têm vindo a explodir.

Outros números (outras vidas!) haveria para mostrar, mas aqui, o espelho já nos mostra bem a imagem daquilo que esperamos em Portugal. E nós, que caminhamos cantando e rindo para o abismo, escolheremos dar o passo final?

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One thought on “Seguimos, cantando e rindo, a caminho do abismo

  1. VIVA O SINDICALISMO DEMOCRÁTICO E LIVRE – VIVA O 1º. DE MAIO – VIVA O 25 DE ABRIL – VIVAM TODOS QUANTOS DISCORDAM DESTES DESGOVERNANTES que continuam a embandeirarem em arco com a DÍVIDA EXTERNA A AUMENTAR e ainda há quem os “BAJULE” provavelmente porque está de PAPO CHEIO .

    MR

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